sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

POESIA

O MEU POETA
Fui vizinho de um poeta
Iducado por bons pais
Que eu recordo perfeitamente.
Ainda eu era uma criança
Quando ele partiu para longe
Sem mais voltar à Lusa-gente.

Escreveu muitas verdades
Passatempos e recordações
Que são ainda ensinamentos.
Era ainda a sua calçada antiga
Que muitas vezes subiu e desceu
Na ùltima deixou sentimentos!

Partiria com muitos ais
Como são todas as despedidas
Deixando a sua famìlia marcada.
Vi envelhecer seus queridos pais
Deles ouvi bons conselhos
Os "merrelhos" que a gente amava.

Passaram jà dezenas de anos
Amo recordar estes tempos
Que a minha infância conheceu.
Também eu gosto de poesia
Sei inventar mas não sou poeta
O meu ìdolo foi cedo para o Céu.
a 26/02/2010

O TEMPO

O TEMPO
Não desperdicemos o tempo
Hoje mais que nunca nos faz falta
Com os modos de viver apressados
O povo a correr endiabrado
Uns obrigados outros por vaidade.

Acabou-se o bom sentimento
De fazer amigos com boa malta
Para distrações acertadas
Ou para ajudar alguém
Praticando a solidariedade!

Hoje poucos dão ao tempo
O que ao tempo pertence
Olhar pela saùde pròpria
Ou à saùde dos seus
Mesmo sem por mà fé!

Poucas vontades nos nossos dias
Não se faz algo por nada
Ninguém dà também não recebe
Mesmo a viver com dois carros
Quando antes andava-se a pé !

Modificaram-se os tempos
De boas obras pouco se diz
Os resultados jà se vão vendo
Pouca saùde muitos medicamentos
Alguns repetido vezes demais
Muitos também sem vida feliz.

Parece que o tempo se perdeu
Toda a gente tem falta de tempo
Seja com chuva ou sem vento
O tempo que mais falta faz
È o tempo para servir e amar.

Uma sociedade sem tempo
Sem tempo està o trabalhador
Chega depressa a hora de partir
E então là se vai a vida
A quem fica resta-lhes lamentar!
a 26/02/2010

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

EMIGRANTE

Nasci para ser emigrante
Foi o destino dirà alguém
Ainda na minha infância
Fui à escola mais além.

À escola da aldeia vizinha
Por falta de lugar na minha
Onde tinha jà companheiros.

Sair de casa mais cedinho
Por vezes com chuva e vento
Era-me mais longo o caminho
Guardava isto como um tormento !

Três anos num vai e vem
Mesmo assim fiz outros amigos
Não era o ùnico neste pormenor
Outros comigo ìam também.

Aprendi até melhor que mal
Quando a adolescência cheguei
Mais sozinho eu ficava
Por um infortùnio anormal.

Sim por meu pai falecer
Num desastre brutal
A caminho do nosso lar
Mal que ninguém pode prever.

Orfão de pai aos quinze anos
Com irmãos mais novos
Tudo isto nos causou danos
Mudaram-se muito os nossos modos.

Modos de vida e de iducação
Nossa mãe corajosa e boa
Nunca nos faltou com o pão
E nunca nos iducou à toa.

Havia piedade entre vizinhos
Devez enquando vinham ajudar
Sentia tudo por carinhos
Ouvindo os outros falar !

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

A FORTALEZA DO PODER

AMAR A NATUREZA
A saudade é filha da natureza
A natureza filha do amor
Que nos vem do poder Divino.
Quem respeita esta certeza
Tem esperança no seu destino.

Também tem alma a saudade
Para poder entrar nos corações
E reconhecer o que é perfeito.
Basta ao homem controlar as paixões
Para o amor se sentir com respeito.

Entre os inimigos da natureza
Se encontra o egoismo e a vaidade
Que levam o homem a se enganar.
Depois sem amor à verdade
Arrisca-se a perder o seu lugar.

A vida é um mar de saudades
Mas também um jardim de regalias
Se o poder Divino assim o concede.
Devemos moderar as nossas hironias
Para que a alegria sò venha quando deve !

Se o homem procura ser natural
È mais difìcil ser enganado
Por quem procura a provocação.
A verdade passa por todo o lado
Para ir buscar sempre a razão.

Sò respeitando a natureza
Podemos amar o mundo e a terra
Com as belezas que ela nos dà.
Não haveria então mentiras nem guerra
Haveria também mais fé no amanhã.
feito a 18/01/05
A NATUREZA
Mudam os homens mudam os tempos
Até a natureza faz das suas
Por que o seu poder é tão forte
Do qual o homem sempre temeu.
Sim os homens têm medo dos tempos
Por que receiam ver chegar a morte.

Fala-se muito de coragem e de sorte
Pois a vida nunca foi para todos igual
Às vezes por culpa também
Se o homem impõe sua valia.
Na infìngida força que tem
Para fazer mal a quem não devia !

Injustiças causadas na humanidade
Tornam fùriosa a natureza
Ela que a liberdade detém
Esta que a Deux se deve.
Também o homem usa a liberdade
Que para fazer mal dela se serve !

Se o homem respeitar a natureza
Protége-se de alguns riscos fatais
Ajudando a natureza a viver
Os bens aconselhados dos pais.
Tentado a nem sempre obedecer
paga caro o mal que faz sofrer !

Nòs viemos também da natureza
Graças ao grande amor divino
Que passa de geração em geração
Através dos amores naturais
Este bem tem tempo de duração
Ela segue com outros pais !

È de deux a força da natureza
Poder supremo deste Mundo
Que o homem não deve contrariar
Apênas lhe guardar respeito.
Tantas vezes essa fortaleza
Belas coisas meteu ao fundo
Que os homens haviam feito.

Quem criou então a natureza
Com um poder assim tão forte
Que apesar das belezas que tem
Tantos lares tem desfeito?
Foi Deus que criou tal grandeza
Deixando-a em liberdade e à sorte
Libres deixou os homens também
Para à natureza terem direito.

A natureza é deveras imensa
Somos pequenos para compreender
Devez enquando até pensamos
Que andamos todos à sorte de Deus.
Mas ao duvidar desta força intensa
Nem sabemos o que melhor fazer
Então nem nos procupamos
Falando do tempo e pouco dos céus.

Força da vida vem do amor natural
È bela quando tudo vai bem
Temendo que nos chegue o pior
Quando se perde alguém dos seus.
Até duvidamos se a natureza não é o mal
Quando nos leva um filho, ou pai e mãe
Assim se separa a vida do amor
O amor natural que nos vem de Deus.
feito a 15/01/05

domingo, 21 de fevereiro de 2010

A CONTINUIDADE

SER PEQUENINO
Ser pequenino é ser menino
Inocente e criança
A começar uma caminhada.
È ir ao encontro da esperança
Com uma vida acarinhada.

Ser criança e ser menino
È o comêço da herança
Oferecida por alguém
Que quiz dar à sua vida
O mais belo destino!

Levar a sua vida mais além
Para à vida dar vida
Seguindo quem o amou!
Formar-se com humildade
Ser um pai ser uma mãe
Com o amor que alguém lhes deixou.

Mesmo no bom caminho
Nunca querendo ser superior;
Mostrando que ser pequenio
È reconhecer o valor
De quem sabe amar com carinho.

Até terminar o seu destino
Serà um mensageiro e guia
Começando por dar aos seus
O testemunho que receberam.
Continuar a ser pequenino
Para sentir depois a alegria
Quando todos chegarem aos Céus.

Tudo isto porque souberam
Seguir com Cristo e Maria
Pelos caminhos do Calvàrio
Até ao alto do Monte da Guia!

Dos pequeninos a història nem fala
Mas sò quando a humanidade não acredita
Que é o amor que nos domina
Quando o amor é verdadeiro!

Não é fàcil hoje aceitar
Ser humilde e ser mensageiro
Para reconhecer a graça divina
Quando esta é pedida a Deus.

Nos nossos dias ser pequenino
Para muitos é uma baixeza total
Dizendo-se é povo sem tino
Fazendo disto uma praga do mal !
È o mundo do poder
Esfomeado de capital
Sem piedade, a fazer outros sofrer.
a 20/02/2010

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

O TIO ZÈ DA AGRA

05 de Fevereiro de 1910 a 05 de Fevereiro 2010

Depois do seu irmão Manuel, agora é o TIO ZÈ DA AGRA a comemorar o seu centenàrio de vida. Uma enorme alegria para a sua famìlia, mas também para toda a comunidade de Belinho.
Este apelido têve inìcio quando o tio Zé construiu a sua casa na dita Agra do Santo por cujo nome é conhecida, aquele grande espaço, por onde em tempos se veneravam milheirais a perder de vista ! O povo nomeou o tio Zé com este apelido, por que foi a primeira casa a ser por ali construìda, isto no inìcio da década dos anos cinquenta do século passado claro ! Com que então hoje temos assim na atualidade dois MONARCAS da mesma dinastia dos « Caramalhos » ;
o Manuel « Caramalho » com quase 102 anos e seu irmão José com 100 !
Que dizer deste tão rico acontecimento de um homem que no decorrer do seu século tantas històrias e ditos ele conheceu e terà contado. Certamente muito havia a escrever, para contar o que este nosso guerreiro terà vivido e ensinado, com os seus humildes conselhos e do seu saber fazer. Um homem do campo, do mar e do monte, que tudo fazia e ordenava para seu prazer, mas também para que todos notassem que o bem feito bem paréce, como diz o velho ditado. Um homem do século passado, que muito terà pensado nas mudanças que o mundo tem tido desde a sua infância. Conhecedor de tantas realidades, seria e é um livro aberto, para quem quizesse dar do seu tempo para o escutar. Até nem seria difìcil porque, o « tio Zé da Agra » sempre foi uma pessoa aberta ao diàlogo e pronto a disponiblizar-se, para servir e ajudar o seu semelhante, não fora ele um devoto da fé, da esperança e da caridade. O nosso grande brigado por tudo grande Monarca, o vosso exemplo nunca mais serà esquecido.
( AO TIO ZÈ DA AGRA )

Vamos gente cantar à vida
Os mais suaves cânticos de amor
Para saudar a bela natureza
De quem tanto à vida deu !

O esplendor e a humildade
Em tudo o que por bem fazia
Sem nunca atropelar ninguém
Todo o seu respeito ofereceu.

Entre o monte, o mar e o céu
A sua vida era sempre adiante
Caminhar para ir mais além
Aprendendo, para a outros ensinar !

Contava tempo mas nunca velocidades
Mas as suas verdades tinham sentido
Dar sempre a melhor continuidade
Igual como dos seus tinha aprendido.

Os tempos passaram e ele acreditou
Nas bases fortes da fé e da esperança
De que a vida deve, por bem continuar
A ser vista com amor puro e confiança.

Saborear a vida enquanto passamos
Neste mundo brilhante de ilusões
Que por vezes nem conta nos damos
Que tão iludidos, por certas paixões !

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CANTO DAS SAUDADES

Depois de dar a volta ao meu mundo
Aqui estou denovo entre vòs
Alegre e tão satisfeito
Por ter cumprido bem a peito
Os conselhos vindos dos nossos avòs.

O meu mundo até parece pequenino
Mas grande dentro demim
Esse mundo é o grande destino
Que a natureza para mim criou;

Talvez nem seja um mundo
Mais parece um grande jardim
Com tantos botões de rosa
Descendentes da minha mãe raìz
Que foi a rosa que me criou!

Por cada campo eu caminho
Imaginando uma imagem sagrada
Que me dà a mão sorrindo
A fazer-me um gesto de carinho.

Imaginava meu pai e minha mãe
Meus irmãos e outros parentes
Muitas outras pessoas de bem
Tanta amizade naquela boa gente!

Ficou satisfeito o meu coração
Senti eu tantas felicidades
Assim em modo de oração
Peço a Deux e à Virgem-Mãe
Para me guiar um pouco mais
Outra vez ao cantinho das saudades!
a 22/01/2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SENHORA DA GUIA

Antonio Gonçalves Martins PEREIRA
7, Rue de la Poste
01200 Bellegarde Sur Valserine
France

UMA PÀGINA DE SAUDADE E DE AMOR

Recordar é viver, assim diz o velho ditado. Eu hoje também aqui quero recordar a minha Madrinha Carolina, desde os tempos da minha infância, até aos tempos de hoje.
Para falar da minha madrinha, tenho que falar do padrinho David e de todos os seus filhos.
O padrinho David admirei-o sempre muito. Sempre vi nele o respeito, a iducação, a amizade e também a sua disponiblidade, para escutar e atender as pessoas. Depois de ter perdido o meu pai, o padrinho David foi como que o meu segundo pai. Eu e meus irmãos, via-mos nele esse alguém que nos faltava e protegia. Foi também um honesto emigrante por estas terras de França, onde deixou boas recordacções pelo seu saber e pela sua atenção prestada, com aqueles que o estimavam e queriam.
Quanto à minha madrinha conheci-a sempre uma mulher digna na luta pela vida, com cara alegre, faladeira e amiga de toda a gente. Uma mulher que muito trabalhou pelos campos da nossa aldeia e até pelo monte, quando buscava lenha para aquecer à lareira os “paninhos” dos filhos, nas noites do Inverno. Tantas vezes por caminhos e carreiras carregada com cestos de planta, que ela mesmo arrigava e enfeitava para levar às feiras. Recordo-me de a ouvir cantar aos meus primos mais novos, quando ao cair da noite todos se rodeavam à lareira. Muitas vezes com panos sobre os joelhos a secar, porque nos dias de chuva o sol não aparecia. Faz-me bem recordar todas estas coisas, eu que morava perto do seu lar, aquele cantinho de amor junto à estrada. Esse mesmo cantinho que a Madrinha e o Padrinho me propuseram e confiaram, para eu começar a fundar o meu lar feliz que hoje graças a Deus tenho. Là nasceram os meus dois primeiros filhos; Manuel e Martinho. Foi também desse cantinho que eu num dia à tardinha emigrei clandestinamente para França, nos ùltimos dias do mês de Janeiro de 1969.
Falar dos meus primos também me faz muito prazer, pois fomos criados muitas vezes juntos apesar de eu ser mais velho do que eles. De todos me lembra de os ver pequeninos; Somente da Maria é que me não lembra de ela ser bébé. Mas de todos os outros sim. Muitos bons dias passamos. Depois que tiveram a nova moradia, jà ficamos mais distantes e a frequência passou a ser mênos. Depois os anos iam fazendo a diferença de idades entre os mais velhos e os mais novos.
Ficou-me também a boa recordação, que hoje ainda me dà muito prazer. Quando a minha Madrinha me convidou para eu ser padrinho de uma minha prima, a Augusta. Tudo isto são belas passagens da vida, para esquecer outras mênos boas que os anos nos foram trazendo.
Este meu resumo històrico é uma pequena homenagem à minha madrinha, como uma prenda amorosa, para testemunhar aos mais novos o amor que ela sempre dedicou às ”nossas gentes” hoje espalhadas um pouco por todo o Mundo. Muitas mais recordações tinha eu para contar, mas para isso teria de utilizar mais pàginas. Talvez numa outra ocasião eu terei a inspiração e o tempo de o fazer.

Jà que não poderei estar presente no seu aniversàrio, promêto-lhe estar presente em espìrito em jeito de oração com estas frases de amor e de piedade, que a você lhes oferêço.

Senhora da Guia Senhora da Guia Senhora da Guia
Minha Mãe do Céu Là do Seu pedestal Do monte de Belinho
Dai muita saudinha Abençoai os meus Dai-nos a graça e a luz
À minha madrinha Na terra e nos céus Para melhor ver Jesus
Que a alma me deu. E os de longe de Portugal. Em quem connosco faz caminho.

Avé Maria --- Avé Maria --- Avé Maria - cheia de graça.
Senhora da Guia --- sede luz e guia --- de quem por cà passa !...

Do seu afilhado Antònio
Feito a 12 de Outubro de 2006

sábado, 9 de janeiro de 2010

SENHORA DA GUIA

Queremos ser pastorinhos
Do Monte da Senhora da Guia
Pelos nossos caminhos
Segue-nos também Maria.

Vamos então aqui rezar
Senhora Bendita sejais
Nòs queremos continuar
A fé de nossos pais.

Vamos seguindo o Pastor
Jesus dado por Maria
Protegidos por tanto amor
Não hà melhor companhia.

Salvé Salvé Senhora da Guia
Nossa mãe e Mãe do Senhor
Nòs estamos aqui neste dia
A prestar-vos honra e louvor.
Aceitai Ò Mãe a nossa alegria
P'ra compensar o Vosso amor.

Ajudai-nos ò Virgem Mãe
A viver no bom caminho
Muito mais os que mundo além
Vivem sem amor nem carinho.

Obrigado Virgem Maria
Por me ter confiado ao Senhor
Para que eu receba as graças
Que na vida me guiaram.
Graças a Vòs Virgem Maria
Tantos os momentos de algria
Tanta felicidade me deixaram.

Mas hoje em dia
Subir ao monte da Guia
Jà dà para todas as idades.
Mesmo se vâo por demais
As facilidades sâo tais
Nem se imaginam realidades.

Mais acima eu sabia
Que eu voltaria a parar
Ali junto de Maria
Para como S.João, a amar.

NOSSA SENHORA

Senhora da Guia
A Mãe da esperança
Se podesse voltar a ser criança
Começaria da mesma maneira
A ter fé para vos visitar.
Vem o meu coração a cada dia
Junto de Vós marcar presença
Agradecêr-vos a confiança
E com Avé-Marias vos saudar.

Senhora da Guia
Agora jà vélhinho
Não esqueço o santo caminho
Por teus filhos renovado
Melhor para junto de vòs vir.
Virgem Santa Maria
Ajudai-me a estar pertinho
Para aqui vir rezar com carinho
Tenho sempre algo a vos pedir.

A todo aquele que duvida
Da fè por seus pais pedida
Nós os queremos convidar.
Certamente que um dia
Reconhecerão que Maria
Nunca os deixou de amar.

Da fè por seus pais pedida
Nós os queremos convidar.
Certamente que um dia
Reconhecerão que Maria
Nunca os deixou de amar.
Nunca os deixou de amar.

Olhê-mos os nossos campos
Também os nossos lares
Com um coração de santos
Entoar à Mãe lindos cantares.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

B E L I N H O

BELINHO DO PASSADO

Que pensariam os nossos governantes se um dia alguém lhe proposésse de repor a nossa aldeia atraente e natural como fora ela, outrora ! Certo que ninguém pensa nisso nem nunca mais serà possìvel ! Simplesmente se começo desta maneira, é mais para recordar as diferenças entre o presente e o passado que felizmente eu conheci.
Os campos com as suas sementeiras floridas a perder de vista. Milheirais em flor em toda a largura. Os caminhos sempre pejados de pessoas que se cruzavam nas ìdas e vindas de suas lides nos campos ou das pedreiras ! Havia muita peniblidade nos trabalhos dos campos e nas pedreiras, mas havia mais espìrito de convialidade do que hoje. Nos campos da freguesia em certas alturas mais pareciam romarias populares, quando se ouviam cantares que o povo fazia entoar, de Norte a Sul na época das sachadas ou das ceifas. Não se ouviam o barulho dos motores nem dos tratores, mas sim o chiar dos carros de bois, o chocalhar dos engenhos de rega e o bater dos picos nos nossos montes. Tudo era natural, tudo era uma sò faina um sò povo, para ganhar o pão de cada dia! Havia sempre um momento quando se cruzavam para se saudarem ou propor um serviço gratuito. Precisava um hoje do vizinho, amanhã era este que vinha pedir ajuda ! Como era lindo ver as pessoas a acenar de longe para se saudarem. Hoje mesmo passando a centìmetros não hà coragem para dar bom dia, quanto mais para se inquietar com o amigo que passa ao lado !
Não existiam os horàrios fixos, cada um era desde o amanhecer ao sol pôr. Mas havia tempo para se ir a qualquer lado e mais das vezes a pé. Hoje toda a gente anda a correr e tem automòveis e o tempo nunca chega ! Falta sempre tempo para a familia, para a saùde e para o amigo. Toda a gente parece correr para a morte, o que por vezes nos parece dàr essa impressão! Dizem uns não era o mesmo mundo, dizem outros os tempos mudaram-se outros ainda : agora é que é lindo ! Sim temos que viver com o mundo que temos e adaptar-nos às suas maneiras. Mas havia boas maneiras do passado, que poderiam bem ser utilizadas no mundo de hoje . Hoje sim um mundo de encantar mas muito menos humilde e caridoso.

Foi-se embora o mundo velho
Que tantas belas vidas levou
Com tanta doutrina e tanta moral.
Alguns são ainda o nosso memorial
Que tentamos fazer de espelho
Ao mundo novo que se formou !
Vale sempre dar um bom conselho
Que a ninguém é dado por mal.

Antònio G.M.Pereira

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OS MOLHINHOS

OS MOLHOS DE BELINHO
Os "molhinhos" de Belinho
Eram o pão nosso de cada dia
De tantos lares sem fartura
Que só dos "molhinhos" viviam.
Vezes sem conta logo cedinho
Ainda o sol não resplandecia
Là se partia para aquela vida dura
Enquanto os mais novos dormiam.
Foi assim com muitos pais da aldeia
Por vezes debaixo de tempestades
Com as chuvas frias e torrenciais
Nos sombrios dias de Inverno.
Á noite aquecidos á luz da candeia
Casas pobres sem comodidades
Como foi duro para certos pais
Para dar aos seus filhos o pão terno.

Chegava a hora para ir á feira
Là íam trocar os ditos "molhinhos"
Por duas péças de vintém
Certas marés nem se vendia.
Anciosos por retornar á lareira
Para reencontrar seus filhinhos
Choravam muito as nossas mães
Com o pouco que da feira se trazia.

Os molhinhos trocados por pão
Do dinheiro de quem vinha comprar
Levando as couves para seu proveito
Eram estas as maneiras de viver.
Os tais "molhinhos" foram iducação
De tantos pobres a trabalhar
Com coragem e esperança no seu peito
Na humildade a certeza de saber sofrer.

Quem não conheceu os molhinhos ?
Aquele modo de ganhar o pão
Os "molhinhos" vendidos nas feiras
Era um produto de Belinho !
Quem conheceu os "molhinhos"
Sabe bem porque razão
Se faziam essas sementeiras
Com muito trabalho e carinho.

Esses simples "molhinhos"
Eram semeados em cantinhos
Aos quais chamávamos tabuleiros.
Era a faina do nosso dia a dia
Tudo se fazia com alegria
Como verdadeiros jornaleiros.

Essas searas dos molhinhos
Eram tantas vezes regadas
Para serem lindas e apetitosas !
Até a regar se cantava
Enquanto a àgua se buscava
Ao fundo dos poços com escada.

Ai "molhinhos" meus "molhinhos"
Às vezes tão mal vendidos
Depois de tanto trabalho ter !
Por caminhos descalçadinhos
Ficavam os pézinhos feridos
Quando a pressa nos fazia correr !

Os semeadores de "molhinhos"
Transformavam-se em feirantes
Fazendo longos caminhos.
Foi assim tantos tempos antes
A vida dos jà hoje vélhinhos
Seus exemplos; foram importantes !

È teu o Monte da Guia
Altar da Virgem Maria
Um dos mais belos do Minho.
Esquecêr-te nunca mais
Foste o solar de meus pais
Que sorte seres minha; Belinho !

SEMPRE BELINHO

RECORDAR A ALDEIA
Cantigas de toda a gente
Cantadas por campos e caminhos
Jà muito antes do sol nascer.
Era o almoço dos pobrezinhos
Outro não tinham certamente.

Zuniam os carros pelas calçadas
Berravam às vezes os animais
Seus dônos de calças arregaçadas
Eram os filhos com os pais
Mais nos tempos da"lavradas".

De tudo um pouco por ali havia
Fosse no verão ou no inverno
Até se dizia uma romaria.
Certas marés sabia a inferno
Debaixo de chuva e ventania.

Nem sempre o pôvo cantava
Ouviam-se choros e lamentos
Por uma criança mal alimentada.
Uma mãe nos seus sentimentos
Que sofria bem cansada.

Era assim a vida da aldeia
Ganhar o pão na faina rural
Começada à luz da candeia.
Quando saìam o portal
Voltando jà com o luar da lua cheia.

Os homens cruzavam os campos
Quando mudavam de propriedade
Demonstrando cansaços tantos.
Aproveitavam-se da amizade
Para recordar fadas e contos.

Não eram os contos de dinheiro
Que esse não abundava
Mesmo à chegada das feiras.
Vendia-se mal a repolhada
Como outras verduras ligeiras.

Mas ainda havia tempo para rezas
Era disso que havia fartura
Esperando com fé outras certezas.
Mas como a vida era tão dura
Ficavam-se com Deus na pobreza.

Manhã cedinho se levantava
O pobre camponês de Belinho
Para a faina dos campos
Todos os dias vida fora.
Na primavera a terra era lavrada
Para depois semear o milhinho
Terra cavada em todos os cantos
Sò ao escurecer se ìam embora.

Mas que lindo era depois Belinho
Com todos aqueles milheirais
Povoados de gente nas sachadas
Onde se entoavam lindos cânticos.
Ao passar alguém no caminho
Diante dos carros dos animais
Respondiam com palavras iducadas
A vida pobre dos tempos românticos.

Viam-se às vezes fortes poeiras
Puxadas pelos ventos do norte
Soltavam-se as "caralhadas"
Quando as saias se arrebitavam.
Não faltavam as respostas ordeiras
Dizendo, não são gestos de sorte
Que a fruta estava conservada
Mas não se vendia em fracas feiras.

Havia pedreiras e telheiros
Bem ordenadas com preparação
De pà e pica de mão em mão.
Nas pedreiras os pedreiros
Sofriam desde cedo ao sol pôr
Com um mìnimo de condição.

Trabalhavam no alto monte
Desde criança se aprendia
Muito cedo a faina começava.
O pai jà seu filho levava
Quando não mais durante o dia
O filho ìa buscar àgua à fonte.

Subir e descer e voltar a subir
Nos dias de muito calor
Ir à fonte ou os picos aguçar.
Tantas vezes ao ver os filhos chorar
O pai chorava por amor
Ganhar pão para o repartir.

Era entre a escola e a pedreira
Dura canseira para os pais
Que melhor não podiam dar.
Era a vida de um pobre lar
A mãe essa com outra canseira
Ás vezes a sofrer por demais
Monte acima ìa o comer levar.
feito a 23/01/2005