Antonio Gonçalves Martins PEREIRA
7, Rue de la Poste
01200 Bellegarde Sur Valserine
France
UMA PÀGINA DE SAUDADE E DE AMOR
Recordar é viver, assim diz o velho ditado. Eu hoje também aqui quero recordar a minha Madrinha Carolina, desde os tempos da minha infância, até aos tempos de hoje.
Para falar da minha madrinha, tenho que falar do padrinho David e de todos os seus filhos.
O padrinho David admirei-o sempre muito. Sempre vi nele o respeito, a iducação, a amizade e também a sua disponiblidade, para escutar e atender as pessoas. Depois de ter perdido o meu pai, o padrinho David foi como que o meu segundo pai. Eu e meus irmãos, via-mos nele esse alguém que nos faltava e protegia. Foi também um honesto emigrante por estas terras de França, onde deixou boas recordacções pelo seu saber e pela sua atenção prestada, com aqueles que o estimavam e queriam.
Quanto à minha madrinha conheci-a sempre uma mulher digna na luta pela vida, com cara alegre, faladeira e amiga de toda a gente. Uma mulher que muito trabalhou pelos campos da nossa aldeia e até pelo monte, quando buscava lenha para aquecer à lareira os “paninhos” dos filhos, nas noites do Inverno. Tantas vezes por caminhos e carreiras carregada com cestos de planta, que ela mesmo arrigava e enfeitava para levar às feiras. Recordo-me de a ouvir cantar aos meus primos mais novos, quando ao cair da noite todos se rodeavam à lareira. Muitas vezes com panos sobre os joelhos a secar, porque nos dias de chuva o sol não aparecia. Faz-me bem recordar todas estas coisas, eu que morava perto do seu lar, aquele cantinho de amor junto à estrada. Esse mesmo cantinho que a Madrinha e o Padrinho me propuseram e confiaram, para eu começar a fundar o meu lar feliz que hoje graças a Deus tenho. Là nasceram os meus dois primeiros filhos; Manuel e Martinho. Foi também desse cantinho que eu num dia à tardinha emigrei clandestinamente para França, nos ùltimos dias do mês de Janeiro de 1969.
Falar dos meus primos também me faz muito prazer, pois fomos criados muitas vezes juntos apesar de eu ser mais velho do que eles. De todos me lembra de os ver pequeninos; Somente da Maria é que me não lembra de ela ser bébé. Mas de todos os outros sim. Muitos bons dias passamos. Depois que tiveram a nova moradia, jà ficamos mais distantes e a frequência passou a ser mênos. Depois os anos iam fazendo a diferença de idades entre os mais velhos e os mais novos.
Ficou-me também a boa recordação, que hoje ainda me dà muito prazer. Quando a minha Madrinha me convidou para eu ser padrinho de uma minha prima, a Augusta. Tudo isto são belas passagens da vida, para esquecer outras mênos boas que os anos nos foram trazendo.
Este meu resumo històrico é uma pequena homenagem à minha madrinha, como uma prenda amorosa, para testemunhar aos mais novos o amor que ela sempre dedicou às ”nossas gentes” hoje espalhadas um pouco por todo o Mundo. Muitas mais recordações tinha eu para contar, mas para isso teria de utilizar mais pàginas. Talvez numa outra ocasião eu terei a inspiração e o tempo de o fazer.
Jà que não poderei estar presente no seu aniversàrio, promêto-lhe estar presente em espìrito em jeito de oração com estas frases de amor e de piedade, que a você lhes oferêço.
Senhora da Guia Senhora da Guia Senhora da Guia
Minha Mãe do Céu Là do Seu pedestal Do monte de Belinho
Dai muita saudinha Abençoai os meus Dai-nos a graça e a luz
À minha madrinha Na terra e nos céus Para melhor ver Jesus
Que a alma me deu. E os de longe de Portugal. Em quem connosco faz caminho.
Avé Maria --- Avé Maria --- Avé Maria - cheia de graça.
Senhora da Guia --- sede luz e guia --- de quem por cà passa !...
Do seu afilhado Antònio
Feito a 12 de Outubro de 2006
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