sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

SEMPRE BELINHO

RECORDAR A ALDEIA
Cantigas de toda a gente
Cantadas por campos e caminhos
Jà muito antes do sol nascer.
Era o almoço dos pobrezinhos
Outro não tinham certamente.

Zuniam os carros pelas calçadas
Berravam às vezes os animais
Seus dônos de calças arregaçadas
Eram os filhos com os pais
Mais nos tempos da"lavradas".

De tudo um pouco por ali havia
Fosse no verão ou no inverno
Até se dizia uma romaria.
Certas marés sabia a inferno
Debaixo de chuva e ventania.

Nem sempre o pôvo cantava
Ouviam-se choros e lamentos
Por uma criança mal alimentada.
Uma mãe nos seus sentimentos
Que sofria bem cansada.

Era assim a vida da aldeia
Ganhar o pão na faina rural
Começada à luz da candeia.
Quando saìam o portal
Voltando jà com o luar da lua cheia.

Os homens cruzavam os campos
Quando mudavam de propriedade
Demonstrando cansaços tantos.
Aproveitavam-se da amizade
Para recordar fadas e contos.

Não eram os contos de dinheiro
Que esse não abundava
Mesmo à chegada das feiras.
Vendia-se mal a repolhada
Como outras verduras ligeiras.

Mas ainda havia tempo para rezas
Era disso que havia fartura
Esperando com fé outras certezas.
Mas como a vida era tão dura
Ficavam-se com Deus na pobreza.

Manhã cedinho se levantava
O pobre camponês de Belinho
Para a faina dos campos
Todos os dias vida fora.
Na primavera a terra era lavrada
Para depois semear o milhinho
Terra cavada em todos os cantos
Sò ao escurecer se ìam embora.

Mas que lindo era depois Belinho
Com todos aqueles milheirais
Povoados de gente nas sachadas
Onde se entoavam lindos cânticos.
Ao passar alguém no caminho
Diante dos carros dos animais
Respondiam com palavras iducadas
A vida pobre dos tempos românticos.

Viam-se às vezes fortes poeiras
Puxadas pelos ventos do norte
Soltavam-se as "caralhadas"
Quando as saias se arrebitavam.
Não faltavam as respostas ordeiras
Dizendo, não são gestos de sorte
Que a fruta estava conservada
Mas não se vendia em fracas feiras.

Havia pedreiras e telheiros
Bem ordenadas com preparação
De pà e pica de mão em mão.
Nas pedreiras os pedreiros
Sofriam desde cedo ao sol pôr
Com um mìnimo de condição.

Trabalhavam no alto monte
Desde criança se aprendia
Muito cedo a faina começava.
O pai jà seu filho levava
Quando não mais durante o dia
O filho ìa buscar àgua à fonte.

Subir e descer e voltar a subir
Nos dias de muito calor
Ir à fonte ou os picos aguçar.
Tantas vezes ao ver os filhos chorar
O pai chorava por amor
Ganhar pão para o repartir.

Era entre a escola e a pedreira
Dura canseira para os pais
Que melhor não podiam dar.
Era a vida de um pobre lar
A mãe essa com outra canseira
Ás vezes a sofrer por demais
Monte acima ìa o comer levar.
feito a 23/01/2005

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