| RECORDAR A ALDEIA |
| Cantigas de toda a gente |
| Cantadas por campos e caminhos |
| Jà muito antes do sol nascer. |
| Era o almoço dos pobrezinhos |
| Outro não tinham certamente. |
| Zuniam os carros pelas calçadas |
| Berravam às vezes os animais |
| Seus dônos de calças arregaçadas |
| Eram os filhos com os pais |
| Mais nos tempos da"lavradas". |
| De tudo um pouco por ali havia |
| Fosse no verão ou no inverno |
| Até se dizia uma romaria. |
| Certas marés sabia a inferno |
| Debaixo de chuva e ventania. |
| Nem sempre o pôvo cantava |
| Ouviam-se choros e lamentos |
| Por uma criança mal alimentada. |
| Uma mãe nos seus sentimentos |
| Que sofria bem cansada. |
| Era assim a vida da aldeia |
| Ganhar o pão na faina rural |
| Começada à luz da candeia. |
| Quando saìam o portal |
| Voltando jà com o luar da lua cheia. |
| Os homens cruzavam os campos |
| Quando mudavam de propriedade |
| Demonstrando cansaços tantos. |
| Aproveitavam-se da amizade |
| Para recordar fadas e contos. |
| Não eram os contos de dinheiro |
| Que esse não abundava |
| Mesmo à chegada das feiras. |
| Vendia-se mal a repolhada |
| Como outras verduras ligeiras. |
| Mas ainda havia tempo para rezas |
| Era disso que havia fartura |
| Esperando com fé outras certezas. |
| Mas como a vida era tão dura |
| Ficavam-se com Deus na pobreza. |
| Manhã cedinho se levantava |
| O pobre camponês de Belinho |
| Para a faina dos campos |
| Todos os dias vida fora. |
| Na primavera a terra era lavrada |
| Para depois semear o milhinho |
| Terra cavada em todos os cantos |
| Sò ao escurecer se ìam embora. |
| Mas que lindo era depois Belinho |
| Com todos aqueles milheirais |
| Povoados de gente nas sachadas |
| Onde se entoavam lindos cânticos. |
| Ao passar alguém no caminho |
| Diante dos carros dos animais |
| Respondiam com palavras iducadas |
| A vida pobre dos tempos românticos. |
| Viam-se às vezes fortes poeiras |
| Puxadas pelos ventos do norte |
| Soltavam-se as "caralhadas" |
| Quando as saias se arrebitavam. |
| Não faltavam as respostas ordeiras |
| Dizendo, não são gestos de sorte |
| Que a fruta estava conservada |
| Mas não se vendia em fracas feiras. |
| Havia pedreiras e telheiros |
| Bem ordenadas com preparação |
| De pà e pica de mão em mão. |
| Nas pedreiras os pedreiros |
| Sofriam desde cedo ao sol pôr |
| Com um mìnimo de condição. |
| Trabalhavam no alto monte |
| Desde criança se aprendia |
| Muito cedo a faina começava. |
| O pai jà seu filho levava |
| Quando não mais durante o dia |
| O filho ìa buscar àgua à fonte. |
| Subir e descer e voltar a subir |
| Nos dias de muito calor |
| Ir à fonte ou os picos aguçar. |
| Tantas vezes ao ver os filhos chorar |
| O pai chorava por amor |
| Ganhar pão para o repartir. |
| Era entre a escola e a pedreira |
| Dura canseira para os pais |
| Que melhor não podiam dar. |
| Era a vida de um pobre lar |
| A mãe essa com outra canseira |
| Ás vezes a sofrer por demais |
| Monte acima ìa o comer levar. |
| feito a 23/01/2005 |
Escrever o que sinto e deixar o meu coração se exprimir através da minha simples veia poética!
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
SEMPRE BELINHO
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