sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

CANTO DAS SAUDADES

Depois de dar a volta ao meu mundo
Aqui estou denovo entre vòs
Alegre e tão satisfeito
Por ter cumprido bem a peito
Os conselhos vindos dos nossos avòs.

O meu mundo até parece pequenino
Mas grande dentro demim
Esse mundo é o grande destino
Que a natureza para mim criou;

Talvez nem seja um mundo
Mais parece um grande jardim
Com tantos botões de rosa
Descendentes da minha mãe raìz
Que foi a rosa que me criou!

Por cada campo eu caminho
Imaginando uma imagem sagrada
Que me dà a mão sorrindo
A fazer-me um gesto de carinho.

Imaginava meu pai e minha mãe
Meus irmãos e outros parentes
Muitas outras pessoas de bem
Tanta amizade naquela boa gente!

Ficou satisfeito o meu coração
Senti eu tantas felicidades
Assim em modo de oração
Peço a Deux e à Virgem-Mãe
Para me guiar um pouco mais
Outra vez ao cantinho das saudades!
a 22/01/2010

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

SENHORA DA GUIA

Antonio Gonçalves Martins PEREIRA
7, Rue de la Poste
01200 Bellegarde Sur Valserine
France

UMA PÀGINA DE SAUDADE E DE AMOR

Recordar é viver, assim diz o velho ditado. Eu hoje também aqui quero recordar a minha Madrinha Carolina, desde os tempos da minha infância, até aos tempos de hoje.
Para falar da minha madrinha, tenho que falar do padrinho David e de todos os seus filhos.
O padrinho David admirei-o sempre muito. Sempre vi nele o respeito, a iducação, a amizade e também a sua disponiblidade, para escutar e atender as pessoas. Depois de ter perdido o meu pai, o padrinho David foi como que o meu segundo pai. Eu e meus irmãos, via-mos nele esse alguém que nos faltava e protegia. Foi também um honesto emigrante por estas terras de França, onde deixou boas recordacções pelo seu saber e pela sua atenção prestada, com aqueles que o estimavam e queriam.
Quanto à minha madrinha conheci-a sempre uma mulher digna na luta pela vida, com cara alegre, faladeira e amiga de toda a gente. Uma mulher que muito trabalhou pelos campos da nossa aldeia e até pelo monte, quando buscava lenha para aquecer à lareira os “paninhos” dos filhos, nas noites do Inverno. Tantas vezes por caminhos e carreiras carregada com cestos de planta, que ela mesmo arrigava e enfeitava para levar às feiras. Recordo-me de a ouvir cantar aos meus primos mais novos, quando ao cair da noite todos se rodeavam à lareira. Muitas vezes com panos sobre os joelhos a secar, porque nos dias de chuva o sol não aparecia. Faz-me bem recordar todas estas coisas, eu que morava perto do seu lar, aquele cantinho de amor junto à estrada. Esse mesmo cantinho que a Madrinha e o Padrinho me propuseram e confiaram, para eu começar a fundar o meu lar feliz que hoje graças a Deus tenho. Là nasceram os meus dois primeiros filhos; Manuel e Martinho. Foi também desse cantinho que eu num dia à tardinha emigrei clandestinamente para França, nos ùltimos dias do mês de Janeiro de 1969.
Falar dos meus primos também me faz muito prazer, pois fomos criados muitas vezes juntos apesar de eu ser mais velho do que eles. De todos me lembra de os ver pequeninos; Somente da Maria é que me não lembra de ela ser bébé. Mas de todos os outros sim. Muitos bons dias passamos. Depois que tiveram a nova moradia, jà ficamos mais distantes e a frequência passou a ser mênos. Depois os anos iam fazendo a diferença de idades entre os mais velhos e os mais novos.
Ficou-me também a boa recordação, que hoje ainda me dà muito prazer. Quando a minha Madrinha me convidou para eu ser padrinho de uma minha prima, a Augusta. Tudo isto são belas passagens da vida, para esquecer outras mênos boas que os anos nos foram trazendo.
Este meu resumo històrico é uma pequena homenagem à minha madrinha, como uma prenda amorosa, para testemunhar aos mais novos o amor que ela sempre dedicou às ”nossas gentes” hoje espalhadas um pouco por todo o Mundo. Muitas mais recordações tinha eu para contar, mas para isso teria de utilizar mais pàginas. Talvez numa outra ocasião eu terei a inspiração e o tempo de o fazer.

Jà que não poderei estar presente no seu aniversàrio, promêto-lhe estar presente em espìrito em jeito de oração com estas frases de amor e de piedade, que a você lhes oferêço.

Senhora da Guia Senhora da Guia Senhora da Guia
Minha Mãe do Céu Là do Seu pedestal Do monte de Belinho
Dai muita saudinha Abençoai os meus Dai-nos a graça e a luz
À minha madrinha Na terra e nos céus Para melhor ver Jesus
Que a alma me deu. E os de longe de Portugal. Em quem connosco faz caminho.

Avé Maria --- Avé Maria --- Avé Maria - cheia de graça.
Senhora da Guia --- sede luz e guia --- de quem por cà passa !...

Do seu afilhado Antònio
Feito a 12 de Outubro de 2006

sábado, 9 de janeiro de 2010

SENHORA DA GUIA

Queremos ser pastorinhos
Do Monte da Senhora da Guia
Pelos nossos caminhos
Segue-nos também Maria.

Vamos então aqui rezar
Senhora Bendita sejais
Nòs queremos continuar
A fé de nossos pais.

Vamos seguindo o Pastor
Jesus dado por Maria
Protegidos por tanto amor
Não hà melhor companhia.

Salvé Salvé Senhora da Guia
Nossa mãe e Mãe do Senhor
Nòs estamos aqui neste dia
A prestar-vos honra e louvor.
Aceitai Ò Mãe a nossa alegria
P'ra compensar o Vosso amor.

Ajudai-nos ò Virgem Mãe
A viver no bom caminho
Muito mais os que mundo além
Vivem sem amor nem carinho.

Obrigado Virgem Maria
Por me ter confiado ao Senhor
Para que eu receba as graças
Que na vida me guiaram.
Graças a Vòs Virgem Maria
Tantos os momentos de algria
Tanta felicidade me deixaram.

Mas hoje em dia
Subir ao monte da Guia
Jà dà para todas as idades.
Mesmo se vâo por demais
As facilidades sâo tais
Nem se imaginam realidades.

Mais acima eu sabia
Que eu voltaria a parar
Ali junto de Maria
Para como S.João, a amar.

NOSSA SENHORA

Senhora da Guia
A Mãe da esperança
Se podesse voltar a ser criança
Começaria da mesma maneira
A ter fé para vos visitar.
Vem o meu coração a cada dia
Junto de Vós marcar presença
Agradecêr-vos a confiança
E com Avé-Marias vos saudar.

Senhora da Guia
Agora jà vélhinho
Não esqueço o santo caminho
Por teus filhos renovado
Melhor para junto de vòs vir.
Virgem Santa Maria
Ajudai-me a estar pertinho
Para aqui vir rezar com carinho
Tenho sempre algo a vos pedir.

A todo aquele que duvida
Da fè por seus pais pedida
Nós os queremos convidar.
Certamente que um dia
Reconhecerão que Maria
Nunca os deixou de amar.

Da fè por seus pais pedida
Nós os queremos convidar.
Certamente que um dia
Reconhecerão que Maria
Nunca os deixou de amar.
Nunca os deixou de amar.

Olhê-mos os nossos campos
Também os nossos lares
Com um coração de santos
Entoar à Mãe lindos cantares.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

B E L I N H O

BELINHO DO PASSADO

Que pensariam os nossos governantes se um dia alguém lhe proposésse de repor a nossa aldeia atraente e natural como fora ela, outrora ! Certo que ninguém pensa nisso nem nunca mais serà possìvel ! Simplesmente se começo desta maneira, é mais para recordar as diferenças entre o presente e o passado que felizmente eu conheci.
Os campos com as suas sementeiras floridas a perder de vista. Milheirais em flor em toda a largura. Os caminhos sempre pejados de pessoas que se cruzavam nas ìdas e vindas de suas lides nos campos ou das pedreiras ! Havia muita peniblidade nos trabalhos dos campos e nas pedreiras, mas havia mais espìrito de convialidade do que hoje. Nos campos da freguesia em certas alturas mais pareciam romarias populares, quando se ouviam cantares que o povo fazia entoar, de Norte a Sul na época das sachadas ou das ceifas. Não se ouviam o barulho dos motores nem dos tratores, mas sim o chiar dos carros de bois, o chocalhar dos engenhos de rega e o bater dos picos nos nossos montes. Tudo era natural, tudo era uma sò faina um sò povo, para ganhar o pão de cada dia! Havia sempre um momento quando se cruzavam para se saudarem ou propor um serviço gratuito. Precisava um hoje do vizinho, amanhã era este que vinha pedir ajuda ! Como era lindo ver as pessoas a acenar de longe para se saudarem. Hoje mesmo passando a centìmetros não hà coragem para dar bom dia, quanto mais para se inquietar com o amigo que passa ao lado !
Não existiam os horàrios fixos, cada um era desde o amanhecer ao sol pôr. Mas havia tempo para se ir a qualquer lado e mais das vezes a pé. Hoje toda a gente anda a correr e tem automòveis e o tempo nunca chega ! Falta sempre tempo para a familia, para a saùde e para o amigo. Toda a gente parece correr para a morte, o que por vezes nos parece dàr essa impressão! Dizem uns não era o mesmo mundo, dizem outros os tempos mudaram-se outros ainda : agora é que é lindo ! Sim temos que viver com o mundo que temos e adaptar-nos às suas maneiras. Mas havia boas maneiras do passado, que poderiam bem ser utilizadas no mundo de hoje . Hoje sim um mundo de encantar mas muito menos humilde e caridoso.

Foi-se embora o mundo velho
Que tantas belas vidas levou
Com tanta doutrina e tanta moral.
Alguns são ainda o nosso memorial
Que tentamos fazer de espelho
Ao mundo novo que se formou !
Vale sempre dar um bom conselho
Que a ninguém é dado por mal.

Antònio G.M.Pereira

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OS MOLHINHOS

OS MOLHOS DE BELINHO
Os "molhinhos" de Belinho
Eram o pão nosso de cada dia
De tantos lares sem fartura
Que só dos "molhinhos" viviam.
Vezes sem conta logo cedinho
Ainda o sol não resplandecia
Là se partia para aquela vida dura
Enquanto os mais novos dormiam.
Foi assim com muitos pais da aldeia
Por vezes debaixo de tempestades
Com as chuvas frias e torrenciais
Nos sombrios dias de Inverno.
Á noite aquecidos á luz da candeia
Casas pobres sem comodidades
Como foi duro para certos pais
Para dar aos seus filhos o pão terno.

Chegava a hora para ir á feira
Là íam trocar os ditos "molhinhos"
Por duas péças de vintém
Certas marés nem se vendia.
Anciosos por retornar á lareira
Para reencontrar seus filhinhos
Choravam muito as nossas mães
Com o pouco que da feira se trazia.

Os molhinhos trocados por pão
Do dinheiro de quem vinha comprar
Levando as couves para seu proveito
Eram estas as maneiras de viver.
Os tais "molhinhos" foram iducação
De tantos pobres a trabalhar
Com coragem e esperança no seu peito
Na humildade a certeza de saber sofrer.

Quem não conheceu os molhinhos ?
Aquele modo de ganhar o pão
Os "molhinhos" vendidos nas feiras
Era um produto de Belinho !
Quem conheceu os "molhinhos"
Sabe bem porque razão
Se faziam essas sementeiras
Com muito trabalho e carinho.

Esses simples "molhinhos"
Eram semeados em cantinhos
Aos quais chamávamos tabuleiros.
Era a faina do nosso dia a dia
Tudo se fazia com alegria
Como verdadeiros jornaleiros.

Essas searas dos molhinhos
Eram tantas vezes regadas
Para serem lindas e apetitosas !
Até a regar se cantava
Enquanto a àgua se buscava
Ao fundo dos poços com escada.

Ai "molhinhos" meus "molhinhos"
Às vezes tão mal vendidos
Depois de tanto trabalho ter !
Por caminhos descalçadinhos
Ficavam os pézinhos feridos
Quando a pressa nos fazia correr !

Os semeadores de "molhinhos"
Transformavam-se em feirantes
Fazendo longos caminhos.
Foi assim tantos tempos antes
A vida dos jà hoje vélhinhos
Seus exemplos; foram importantes !

È teu o Monte da Guia
Altar da Virgem Maria
Um dos mais belos do Minho.
Esquecêr-te nunca mais
Foste o solar de meus pais
Que sorte seres minha; Belinho !

SEMPRE BELINHO

RECORDAR A ALDEIA
Cantigas de toda a gente
Cantadas por campos e caminhos
Jà muito antes do sol nascer.
Era o almoço dos pobrezinhos
Outro não tinham certamente.

Zuniam os carros pelas calçadas
Berravam às vezes os animais
Seus dônos de calças arregaçadas
Eram os filhos com os pais
Mais nos tempos da"lavradas".

De tudo um pouco por ali havia
Fosse no verão ou no inverno
Até se dizia uma romaria.
Certas marés sabia a inferno
Debaixo de chuva e ventania.

Nem sempre o pôvo cantava
Ouviam-se choros e lamentos
Por uma criança mal alimentada.
Uma mãe nos seus sentimentos
Que sofria bem cansada.

Era assim a vida da aldeia
Ganhar o pão na faina rural
Começada à luz da candeia.
Quando saìam o portal
Voltando jà com o luar da lua cheia.

Os homens cruzavam os campos
Quando mudavam de propriedade
Demonstrando cansaços tantos.
Aproveitavam-se da amizade
Para recordar fadas e contos.

Não eram os contos de dinheiro
Que esse não abundava
Mesmo à chegada das feiras.
Vendia-se mal a repolhada
Como outras verduras ligeiras.

Mas ainda havia tempo para rezas
Era disso que havia fartura
Esperando com fé outras certezas.
Mas como a vida era tão dura
Ficavam-se com Deus na pobreza.

Manhã cedinho se levantava
O pobre camponês de Belinho
Para a faina dos campos
Todos os dias vida fora.
Na primavera a terra era lavrada
Para depois semear o milhinho
Terra cavada em todos os cantos
Sò ao escurecer se ìam embora.

Mas que lindo era depois Belinho
Com todos aqueles milheirais
Povoados de gente nas sachadas
Onde se entoavam lindos cânticos.
Ao passar alguém no caminho
Diante dos carros dos animais
Respondiam com palavras iducadas
A vida pobre dos tempos românticos.

Viam-se às vezes fortes poeiras
Puxadas pelos ventos do norte
Soltavam-se as "caralhadas"
Quando as saias se arrebitavam.
Não faltavam as respostas ordeiras
Dizendo, não são gestos de sorte
Que a fruta estava conservada
Mas não se vendia em fracas feiras.

Havia pedreiras e telheiros
Bem ordenadas com preparação
De pà e pica de mão em mão.
Nas pedreiras os pedreiros
Sofriam desde cedo ao sol pôr
Com um mìnimo de condição.

Trabalhavam no alto monte
Desde criança se aprendia
Muito cedo a faina começava.
O pai jà seu filho levava
Quando não mais durante o dia
O filho ìa buscar àgua à fonte.

Subir e descer e voltar a subir
Nos dias de muito calor
Ir à fonte ou os picos aguçar.
Tantas vezes ao ver os filhos chorar
O pai chorava por amor
Ganhar pão para o repartir.

Era entre a escola e a pedreira
Dura canseira para os pais
Que melhor não podiam dar.
Era a vida de um pobre lar
A mãe essa com outra canseira
Ás vezes a sofrer por demais
Monte acima ìa o comer levar.
feito a 23/01/2005