sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

OS MOLHINHOS

OS MOLHOS DE BELINHO
Os "molhinhos" de Belinho
Eram o pão nosso de cada dia
De tantos lares sem fartura
Que só dos "molhinhos" viviam.
Vezes sem conta logo cedinho
Ainda o sol não resplandecia
Là se partia para aquela vida dura
Enquanto os mais novos dormiam.
Foi assim com muitos pais da aldeia
Por vezes debaixo de tempestades
Com as chuvas frias e torrenciais
Nos sombrios dias de Inverno.
Á noite aquecidos á luz da candeia
Casas pobres sem comodidades
Como foi duro para certos pais
Para dar aos seus filhos o pão terno.

Chegava a hora para ir á feira
Là íam trocar os ditos "molhinhos"
Por duas péças de vintém
Certas marés nem se vendia.
Anciosos por retornar á lareira
Para reencontrar seus filhinhos
Choravam muito as nossas mães
Com o pouco que da feira se trazia.

Os molhinhos trocados por pão
Do dinheiro de quem vinha comprar
Levando as couves para seu proveito
Eram estas as maneiras de viver.
Os tais "molhinhos" foram iducação
De tantos pobres a trabalhar
Com coragem e esperança no seu peito
Na humildade a certeza de saber sofrer.

Quem não conheceu os molhinhos ?
Aquele modo de ganhar o pão
Os "molhinhos" vendidos nas feiras
Era um produto de Belinho !
Quem conheceu os "molhinhos"
Sabe bem porque razão
Se faziam essas sementeiras
Com muito trabalho e carinho.

Esses simples "molhinhos"
Eram semeados em cantinhos
Aos quais chamávamos tabuleiros.
Era a faina do nosso dia a dia
Tudo se fazia com alegria
Como verdadeiros jornaleiros.

Essas searas dos molhinhos
Eram tantas vezes regadas
Para serem lindas e apetitosas !
Até a regar se cantava
Enquanto a àgua se buscava
Ao fundo dos poços com escada.

Ai "molhinhos" meus "molhinhos"
Às vezes tão mal vendidos
Depois de tanto trabalho ter !
Por caminhos descalçadinhos
Ficavam os pézinhos feridos
Quando a pressa nos fazia correr !

Os semeadores de "molhinhos"
Transformavam-se em feirantes
Fazendo longos caminhos.
Foi assim tantos tempos antes
A vida dos jà hoje vélhinhos
Seus exemplos; foram importantes !

È teu o Monte da Guia
Altar da Virgem Maria
Um dos mais belos do Minho.
Esquecêr-te nunca mais
Foste o solar de meus pais
Que sorte seres minha; Belinho !

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